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Além das estruturas: ACIL e OAB Lajeado debatem governança e o papel do diálogo na longevidade das empresas

Fotos: João Brandão - Acil

Reunião-Almoço reuniu Valéria e Daniel Santoro para abordar a qualidade das decisões, a escuta e o alinhamento entre lideranças como fundamentos da continuidade dos negócios

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A longevidade de uma empresa também se constrói na maneira como suas lideranças conversam, alinham expectativas e tomam decisões. Essa perspectiva conduziu mais uma edição da Reunião-Almoço da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (ACIL), realizada na terça-feira, 27 de outubro, em parceria com a Subseção da OAB de Lajeado.

Com o auditório lotado por empresários, advogados e lideranças locais, o encontro abordou o tema “Além das estruturas: a governança que nasce das conversas”. À frente da palestra estiveram Valéria Santoro, facilitadora de diálogos e professora convidada da PUCRS, e Daniel Santoro, conselheiro de administração e consultor em governança e empresas familiares.

Os convidados apresentaram uma visão de governança que conecta instrumentos formais à qualidade das relações. Conselhos, estatutos e acordos estabelecem diretrizes importantes, mas sua aplicação depende de pessoas capazes de ouvir diferentes perspectivas, esclarecer responsabilidades e construir encaminhamentos para o negócio.

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Diálogo como prática de gestão

Na abertura, o presidente da ACIL, Eduardo Brancher Gravina, destacou a parceria com a OAB Lajeado e a importância de dedicar atenção às conversas necessárias dentro das organizações. Entre os temas mencionados estiveram o alinhamento de expectativas entre sócios, a definição de papéis e o planejamento da sucessão.

“Quando ouvimos a palavra governança, muitas vezes pensamos apenas em conselhos, organogramas e documentos. Tudo isso tem seu papel, mas precisamos de disposição para ouvir opiniões diferentes, esclarecer expectativas e enfrentar assuntos desconfortáveis. Cuidar dessas relações é cuidar do futuro dos nossos negócios”, afirmou.

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Em sua saudação, o presidente da OAB Lajeado, Ronaldo Eckhardt, também ressaltou a dimensão relacional da governança e a importância de estabelecer conversas claras entre lideranças e gerações. Sua manifestação reforçou o valor do diálogo para dar consistência às regras e orientar a condução das empresas.

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Da estrutura à qualidade das decisões

Durante a palestra, Daniel Santoro recorreu a uma analogia com a tecnologia para explicar como a governança funciona no cotidiano. Estatutos, regimentos internos, conselhos e acordos de sócios representam o hardware da organização. Quando as reuniões começam, entra em operação o software: pessoas com histórias, interesses, expectativas e diferentes formas de interpretar uma mesma situação.

A comparação evidenciou que a qualidade das decisões depende tanto da estrutura disponível quanto da maneira como os participantes se relacionam e avaliam os caminhos possíveis.

O consultor destacou a relevância do julgamento e da deliberação colegiada, especialmente diante de escolhas que comportam mais de uma resposta legítima. Distribuir lucros ou reinvestir na empresa, por exemplo, exige ponderar prioridades, considerar perspectivas e estabelecer critérios para decidir.

Nesse processo, definir quem decide e como se decide oferece clareza à gestão. Nas empresas familiares, essa organização também contribui para alinhar as expectativas de diferentes gerações e planejar a continuidade do empreendimento.

 

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Escuta que amplia perspectivas

Valéria Santoro aprofundou a reflexão sobre a escuta qualificada, destacando a importância de compreender o ponto de vista do outro antes de formular uma resposta. Escutar, explicou, não significa necessariamente concordar, mas conhecer os argumentos e as experiências que sustentam determinada posição.

“A concordância cega nos traz conforto psicológico, mas prejudica a análise crítica e pode ocultar riscos”, afirmou.

A palestrante ressaltou que a abertura a diferentes ideias contribui para decisões mais consistentes. Nas conversas entre sócios, conselheiros e equipes, essa disposição permite esclarecer expectativas, compreender prioridades e ampliar a análise dos caminhos possíveis para o negócio.

 

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Confiança para contribuir

Os palestrantes também abordaram a segurança psicológica nos conselhos e nas equipes. O conceito se refere à confiança para fazer perguntas, apresentar ideias, pedir ajuda e sinalizar pontos de atenção sem receio de constrangimento ou retaliação.

Essa condição favorece a participação e a circulação de informações relevantes. Ao criar espaço para que diferentes integrantes contribuam, a organização aproveita melhor o conhecimento de suas equipes e amplia sua capacidade de avaliar cenários.

“O mundo está complexo demais para depender de uma única liderança; não podemos abrir mão de nenhuma massa cinzenta instalada nos nossos fóruns”, afirmou Daniel.

A reflexão trouxe às lideranças uma responsabilidade prática: criar condições para que as pessoas participem das conversas e tenham suas contribuições consideradas. A condução das reuniões, a abertura às perguntas e a atenção aos diferentes argumentos influenciam diretamente a qualidade desse processo.

Continuidade dos negócios e compromisso regional

Além da pauta central, Gravina reafirmou a atuação firme e independente da ACIL na defesa de infraestrutura, segurança jurídica, eficiência pública e condições favoráveis ao empreendedorismo. O presidente também convidou os participantes para a Expovale Construmóbil, que começa em 12 de novembro, no Parque do Imigrante.

O dirigente destacou ainda o associativismo como instrumento de representatividade diante de desafios que ultrapassam a realidade de cada empresa, como tributação, burocracia e ambiente regulatório.

Ao longo do encontro, a governança foi apresentada como uma construção cotidiana, sustentada por estruturas claras e conversas consistentes. Alinhar responsabilidades, ouvir diferentes perspectivas e preparar a sucessão são práticas que conectam as decisões do presente à longevidade dos negócios.

Patrocínio e apoio

As Reuniões-Almoço de 2026 da ACIL contam com patrocínio de Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), CBM Materiais Elétricos, Excellence Garçons, Ferramentas do Vale Locação de Equipamentos, Florestal Alimentos, Fruki Bebidas, Grupo RBS, Imojel Construtora e Incorporadora, Kappel Imóveis, Oli Center Informática, Rhodoss Implementos Rodoviários, Tecnosom Produções e Eventos, Unimed VTRP e Zallon Hotel Executivo.

A entidade conta ainda com Sicredi Integração RS/MG e Colégio Sinodal Gustavo Adolfo como patrocinadores de gestão.

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